segunda-feira, 11 de julho de 2022

Classes gramaticais em outros idiomas

 Nas línguas indo-europeias, os pronomes formam uma classe gramatical presente em todos os idiomas, embora com algumas variações.

Nas línguas urálicas, não existem pronomes pessoais nem possessivos. Apenas a flexão do verbo é suficiente para determinar a pessoa e a posse é designada pelo caso genitivo, que assume uma forma diferente para cada pessoa.

Em espanhol há um pronome de terceira pessoa para indicar o gênero neutro ("ello").

Em latim não há pronome pessoal de terceira pessoa, sendo substituídos por pronomes demonstrativos.

Em inglês, todos os pronomes são declinados em caso (nominativo, acusativo e possessivo). Os pronomes demonstrativos não se flexionam em gênero.

Na maioria das línguas indo-europeias, assim como em japonês, pode existir mais de um pronome de segunda pessoa, chamados "pronomes de tratamento", dependendo do grau de proximidade e respeito a que se dedica ao interlocutor.

Em espanhol europeu existem os pronomes "tú" e "usted" (singular), "vosotros" e "ustedes" (plural).

Em inglês o pronome "they" é de uso genético, mas no passado, em ocasiões solenes, usam-se os pronomes "thou" (singular) e "ye" (plural), com os respectivos oblíquos "thee" e "you" e possessivos "thy/thine" e "your/yours".

Em francês são usados os pronomes "tu" e "vous".

Em alemão são usados os pronomes "du" e "Sie".

Em japonês os pronomes de primeira pessoa variam de acordo com o sexo do falante e com a circunstância em que é usado, além de os pronomes de tratamento serem diferentes inclusive para pessoas próximas (quando se dirige a pessoas próximas ou que exigem um grau de formalidade específico). O pronome "watashi" significa "eu" quando falado pela maioria das pessoas, "atashi" quando usado por uma mulher, enquanto "boku" significa "eu" da mesma forma, mas dito geralmente por jovens homens. Os pronomes "watashi" e "watakushi" são usados por ambos, em circunstâncias formais.

Em alemão, o pronome pessoal "sie" (minúsculo, podendo ser maiúsculo, quando no início de frases) significa: "ela", "elas", "eles". Por sua vez, "Sie" (sempre maiúsculo) significa: "você", "vocês" (tratamento mais formal em Portugal) ou "o senhor", "a senhora", "os senhores", "as senhoras" (usados tanto em Portugal como no Brasil como tratamento formal).

Em sueco há quatro gêneros de pronomes pessoais para a terceira pessoa no singular: masculino, feminino, comum e neutro. O gênero comum serve para designar animais e plantas, e o gênero neutro serve para designar objetos inanimados.

Em basco há um pronome de segunda pessoa neutro ("zu") e um pronome de segunda pessoa não formal mas familiar ("hira").

Nas línguas germânicas, todos os adjetivos, obrigatoriamente, precedem o substantivo.

Em latim, a flexão de grau é sintética e inclui, para todos os adjetivos, o grau superlativo absoluto e o grau comparativo de superioridade.

Em inglês, a flexão de grau inclui o grau superlativo relativo e o grau comparativo de superioridade, apenas para substantivos de até duas sílabas. Para os demais substantivos, não existe flexão de grau. Não há superlativo absoluto, sendo substituído pelo advérbio "very". Não há concordância de gênero nem de número.

Em alemão, os adjetivos se flexionam em gênero (masculino, feminino e neutro), número (singular e plural), grau (normal, comparativo e superlativo) e caso (nominativo, acusativo, genitivo e dativo).

Em inglês, existem apenas três artigos: um definido (the) e dois indefinidos ("a" se o substantivo começa por um som consonantal, "an" se começa por um som vocálico). O pronome indefinido "some" também é reconhecido como artigo indefinido pela gramática inglesa.

Em espanhol e francês, existem apenas contrações de preposições com artigos definidos masculinos

Em italiano há dois artigos para o masculino: "lo", para palavras iniciadas em "s", "z" ou "gn" (plural: "gli"), e "il" para os demais casos (plural: "i"). Para o feminino só existe o artigo "la" (plural: "le"). Os artigos se combinam com várias preposições e são declináveis em seis casos: nominativo, genitivo, partitivo, dativo, comitativo e superessivo. O genitivo ("del", "della", "dello") também serve como artigo indefinido, que só possui formas para o singular: un, uno, una. Para o plural de substantivos indefinidos, usam-se as formas do plural dos artigos partitivos: dei, degli e delle.

Em alemão, grego existe um artigo para cada gênero, cada número e cada caso. A flexão de caso, diferente do que acontece em português, não resulta da contração com preposições.

Nas línguas eslavas não existem artigos com exceção de búlgaro e macedônio com artigos pospostos.

Em latim não existe artigo. A forma definida é representada pelo substantivo sem nenhum determinante, e a forma indefinida é representada por pronomes indefinidos.

Em sueco, há dois artigos definidos: "den" (para o gênero comum) e "det" (para o gênero neutro), mas só aparecem quando o substantivo está acompanhado de algum adjunto adnominal, por exemplo: "a casa" se diz apenas "huset", mas "a casa preta" se diz "det svarta huset". O nominativo é "hus"

Em finlandês não existe artigo. A forma definida e a forma indefinida são determinadas pela posição das palavras na frase. Por exemplo: "kukka on pöydallä" significa "a flor está sobre a mesa", enquanto "pöydälla on kukka" significa "existe uma flor em cima da mesa" (o nominativo de "mesa" é "pöydä").

O romeno é a única língua românica que dispõe do artigo definido no final do substantivo.

Em árabe, não há artigo indefinido; na forma indefinida, os substantivos recebem a terminação un. Para definir um substantivo, usa-se tanto o artigo definido ال al, que é prefixado ao substantivo que se deseja definir, quanto a terminação u. Por ex:baitun significa "(uma) casa", enquanto البيت al-baitu significa "a casa".


terça-feira, 28 de junho de 2022

Fulano, Beltrano e Sicrano - existem outras formas?

 1) Um leitor parte do princípio de que, quando queremos fazer uma referência vaga ou genérica a alguém, ou falar de uma pessoa cujo nome desconhecemos, geralmente empregamos as expressões fulano, beltrano e sicrano. Diz ele, porém, que já ouviu alano, mengano, zutano, citano e perengano. E indaga: além das três primeiras, existem outras formas para tais referências em português?


2) Ora, quando se emprega um vocábulo como fulano, quer-se falar de uma pessoa indeterminada, ou de alguém que não se conhece, ou, ainda, de alguém que não se quer nomear. Ex.: "O fulano que atendeu não vestia o uniforme da repartição".


3) Se a referência é feita a mais de uma pessoa, fala-se de fulano, sicrano (e não siclano, cicrano ou ciclano) e beltrano. Ex.: "Não me interessa se o autor dessa estupidez foi fulano, sicrano ou beltrano".


4) Quanto aos demais vocábulos trazidos pela consulta, podem-se fazer as seguintes observações a seu respeito: a) O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras, com delegação legal para listar oficialmente os vocábulos existentes no idioma, não registra mengano, cicrano e perengano, o que implica dizer que tais palavras são apenas invenção; b) Quanto a zutano e citano, trata-se de vocábulos do espanhol, não do português; c) Por fim, a palavra alano existe no vernáculo, mas seu sentido é de um povo de origem iraniana, que invadiu a Gália (atual França) em 406, de modo que não tem a acepção pretendida pela consulta; d) ciclano existe, mas é da química, e corresponde a um hidrocarboneto saturado cíclico.


5) Em síntese, respondendo de modo direto à pergunta: a) em português, existem fulano, sicrano e beltrano; b) para complementar essa discriminação, mengano, zutano e perengano são invenção; c) ciclano e alano existem, mas não tem a ver com o sentido pretendido para consulta; d) Caio, Tício, Mévio e Semprônio existem, mas são as versões italianas, muito usadas nos cursos de Direito.


Atualizado em: 26/3/2014 08:39


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Somatória, somatório ou tanto faz?

 1) Lembram José de Nicola e Ernani Terra que a soma dos termos de uma sequência qualquer denomina-se somatório (no masculino).


2) Observam adicionalmente tais autores que a forma somatória (no feminino) não existe como substantivo, só pode ser usada como adjetivo.


3) Observe-se, entretanto, que esse substantivo - exatamente no feminino (somatória) - vem registrado, assim como somatório, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, que é o veículo oficial indicador das palavras existentes em nosso idioma, razão pela qual está oficialmente autorizado, por conseguinte, seu normal emprego. Registra no feminino pela semelhança com soma.


4) O legislador, em caso único de emprego nas codificações mais conhecidas, proferiu seu emprego no masculino: "O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5º do art. 153 e nos arts. 157 e 159, efetivamente realizado no exercício anterior" (CF/1988, art. 29-A, incluído pela Emenda Constitucional 25/2000)


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domingo, 26 de junho de 2022

É correto dizer concordo em gênero, número e grau?

 Você já deve ter ouvido falar inúmeras vezes que alguém concorda


em gênero, número e grau com a opinião de outra pessoa a respeito


de determinado assunto, não?


 


Vamos relembrar:


As classes gramaticais  substantivo e adjetivo  apresentam três possibilidades de flexão, variação ou mudança, que são gênero, número e grau.


 


Gênero indica o masculino e o feminino: livro, menino, casa.


Número indica o singular e o plural: livros, meninos, casas.


Grau pode ser aumentativo e diminutivo: livrão, livrinho.


 


Na nossa gramática tradicional havia o entendimento de que o grau era uma forma de flexão. Desde a década de 1960 diversos linguistas e gramáticos entendem que na alteração do grau do substantivo não ocorre flexão da palavra, porque ele, o grau, não interfere na concordância nominal; o gênero e o número, sim.


O grau é uma forma de derivação e seu uso é optativo.


 


Exemplificando:


Das expressões livro bonito, livrinho bonito, livrão bonito, livro bonitinho, livro bonitão, livros bonitos, gravuras bonitas, todas corretas em português, podem-se extrair algumas conclusões importantes quanto aos substantivos e adjetivos:


Estado normal: livro, gravura, bonito;


Gênero: feminino – gravura bonita;   masculino – livro bonito;


Número: livros bonitos –   gravuras bonitas;


Grau: diminutivo – livrinho, gravurinha, bonitinho, bonitinha;


aumentativo – livrão, gravurona, bonitão, bonitona.


Você pode escrever livro bonitinho, livrinho bonito; gravura bonitinha, gravurinha bonita e pode fazer o plural dessas expressões. Note que o adjetivo tem que ser uma verdadeira sombra do substantivo,  acompanhando-o em sua flexão.


 


Só por esse motivo já podemos dizer que, tecnicamente, em tais casos, o adjetivo concorda com o substantivo por ele modificado em gênero e número.


 


Para concordância em grau, seria necessário que o grau do adjetivo (bonitinho – bonitinha, bonitão – bonitona) também seguisse a flexão ou alteração do substantivo.


Há essa obrigatoriedade? Claro que não. Isso dependerá da intenção do falante, não de regras gramaticais estabelecidas. É opcional escrever livrinho bonitinho, gravurinha bonitinha, livrão bonitão, gravurona bonitona. Questão de gosto, mas não de concordância em grau.


 


Podemos concluir que concordar com gênero e número é algo obrigatório, deve acontecer, tendo em vista as regras da gramática normativa. Ficou mais claro que é incorreta a expressão que muitos empregam para significar concordância total de uma pessoa com outra: “Fulano concorda com Sicrano em gênero, número e grau“?


É correto dizer que “Fulano concorda em gênero e número com Sicrano”. 


Só em gênero e número. Só é obrigatória a concordância em gênero e número.

O grau não precisa concordar, pode até discordar.

Em se tratando de palavras variáveis, elas variam apenas em gênero e número.

Ortoépia e prosódia

 Nomes estranhos, não? Vamos ver do que se trata.


Ortoépia (ou ortoepia) é a parte da gramática que trata genericamente


da  pronúncia das palavras. Pronunciar incorretamente a


palavra é cometer cacoépia.


Ortoépia e cacoépia são palavras formadas por radicais gregos:


orto =  “correto“,  “certo“;  caco =  “feio”  “mau” ; épos =  “palavra“.


Da mesma forma podemos falar em ortofonia e cacofonia.


O antônimo de ortoépia é cacoépia.


É mais comum encontrarmos erros de ortoépia na linguagem popular.


Veja, a seguir, a pronúncia correta de algumas palavras:


aleijar em vez de “alejar”


advogado em vez de “adivogado” ou “adevogado”


asterisco em vez de “asterístico”


bandeja em vez de “bandeija”


beneficente em vez de “beneficiente”


cabeleireiro em vez de “cabelerero”


caranguejo em vez de “carangueijo”


cuspe em vez de “guspe”


disenteria em vez de “desinteria” ou “desenteria”


empecilho em vez de “impecilho”


estourar em vez de “estorar”


impregna em vez de “impreguina”


iogurte em vez de “iorgute”


lagartixa em vez de “largatixa“


mendigo em vez de “mendingo”


mortadela em vez de “mortandela”


psicologia em vez de “pissicologia”


prazeroso em vez de “prazeiroso“


privilégio em vez de “previlégio”


salsicha em vez de “salchicha“


sobrancelha em vez de  “sombrancelha”


Comete-se cacoepia, também, quando se pronuncia “duplo a” para evidenciar ocorrência de crase: “a aula iria acabar às cinco horas” em vez de “a aula iria acabar ‘aas‘ cinco horas”.


A prosódia é a parte da fonética que trata da correta acentuação e entonação dos fonemas, sendo sua preocupação maior o conhecimento da sílaba predominante na palavra, ou seja, a sílaba tônica. Assim, cometer um erro de prosódia é, por exemplo, transformar uma palavra oxítona em paroxítona, ou uma proparoxítona em paroxítona. Os erros de prosódia recebem o nome de silabada. Faz sentido, não faz?


Observe a pronúncia correta das palavras a seguir:


Oxítona – aquela em que se pronuncia com mais força a última sílaba: cateter, condor, febril, hangar, Nobel, novel, recém, refém, ruim, sutil.


Paroxítona – aquela em que a penúltima sílaba é pronunciada com mais força: ambrosia, avaro, ciclope,  decano, fortuito,  gratuito, hifens,  ibero, inaudito, látex, meteorito, pudico, recorde, rubrica, têxtil.


Proparoxítona – aquela em que é pronunciada com mais força a antepenúltima sílaba: árvore, filósofo, síndrome, íngreme, ínterim, próximo, médico, protótipo, cínico, ângulo. Aqui ficou mais fácil porque todas as proparoxítonas que pertencem à Língua Portuguesa são acentuadas. Interim (sem acento) é como os mineiros pronunciam inteirinho.


Algumas palavras admitem dupla pronúncia, ambas consideradas corretas e registradas no VOLP. É o caso de ortoépia ou ortoepia,


cacoépia ou cacoepia e outras, como:


acróbata ou acrobata


boêmia ou boemia


hieróglifo ou hieroglifo


transístor ou transistor


xérox ou xerox

Ocorrência da crase

 A palavra crase provém do grego krasis e significa “fusão”, “junção”, “mistura”. Em Português, ocorre a crase com as vogais idênticas a + a = à.


E  o acento grave tem hoje por função única em  Português representar a ocorrência da crase.  É uma situação quase igual a do trema que depois da reforma ortográfica só aparece em palavras estrangeiras; praticamente caiu no esquecimento.


Observe que a ocorrência da crase é uma expressão matemática.


                           a         +      a       =   à       


                        50%     +     50%    =   100%


Veja que, embora idênticas, as vogais pertencem a categorias gramaticais diferentes. O primeiro a é sempre uma preposição; aí já temos 50%. O segundo a – os outros 50% –  pode ser:


O artigo feminino a ou as:


             Preposição          artigo


Fui            a                +           a           feira.


                50%           +          50% =


                     \                         /


Fui                             à                     feira.


                             100%


                             Preposição                             artigos


Retornamos               a                     +                       as        praias.


                               50%                  +                    50%  =


Retornamos                                      às                                    praias.


                                                      100%


 O a que inicia os pronomes demonstrativos aquele(s), 


               aquela(s), aquilo:


                  Preposição                  pronome


Fui                       a               +            aquele     restaurante


                          50%           +                50% =


Fui                                   àquele                    restaurante                                    


                                         100%


O a dos pronomes relativos a qual ou as quais:


                    Preposição                    pronome


A cidade            a                 +                 qual      nos referimos fica longe.


                          50%           +                   50% =


A cidade                               à                qual      nos referimos fica longe.               


                                          100%


O pronome demonstrativo a ou as:


                                               Preposição                  pronome


Esta caneta é semelhante          a                +                que            me deste.


                                                50%           +                50% =


Esta caneta é semelhante                           à                que           me deste.  


                                                              100%


 Dica:


O, a, os, as são pronomes demonstrativos quando equivalem a aquele(s) aquela(s), antecedendo o pronome relativo que.


 


Ficou claro por que a ocorrência da crase é uma conta matemática, uma adição? Você começa com uma parcela de 50% que sempre é a preposição, ou seja, com a metade da expressão identificada. Depois, é só identificar a categoria gramatical da palavra que vem a seguir para resolver a conta.


Simples demais, não?


As categorias gramaticais têm tamanha importância que cada uma delas receberá um post especial.


Mas, antes das peculiaridades das categorias gramaticais, você já resolve outro problema muito importante:  os casos em que  a ocorrência de crase é impossível. O motivo? A expressão  matemática não se completa simplesmente porque não existe o outro a para fazer a junção, a mistura.


São eles:


1. Antes de masculino:


Gostava de andar a cavalo.

Viajou a serviço.

Vendeu tudo a prazo.

Comprou um fogão a gás.

A crase só ocorrerá quando a locução prepositiva 'à moda de' estiver subentendida.


2. Antes de verbo:


Começou a redigir.

Estamos dispostos a colaborar.

A lei entra em vigor a partir de hoje.


3. A(singular) + palavra no plural:


Referia-se a cidades do interior.

Não me refiro a mulheres, e sim a crianças.

Presto favores a pessoas dignas.

O capital da empresa pertence a entidades governamentais.

Se o a vier seguido de s, haverá crase.


4. Antes de artigo indefinido (=uma):


O infrator ficará sujeito a uma multa a ser definida.

Ofereceu o prêmio a uma funcionária dedicada.


5. Antes de nome feminino tomado em sentido genérico ou indeterminado:


O infrator ficará sujeito a multa.

Ela é candidata a rainha do carnaval.


6. Antes de pronome indefinido ou palavra por ele modificada:


Entregou o livro a alguém.

Isto é útil a qualquer pessoa.

Não irei a festa alguma.


7. Antes de pronome demonstrativo (=esta, essa, este, esse, isto, isso):


Estamos atentos a essa tendência.

Ofereceu o prêmio a esta aluna.


8. Antes de pronome pessoal:


Dedicou a canção a mim.

Entregou a ela tudo que pediu.

Elas feriram a si mesmas.


9. Antes de pronomes de tratamento:


Dei a carta a Sua Excelência.

Ele disse a Vossa Senhoria que não viria.

Contei tudo a D. Francisca.


Exceções: Senhora, Senhorita, Doutora e Madame.

Transmiti o recado à Senhora Eva.

Entreguei o livro à Dra. Márcia.


10. Antes de quem e cujo(s), cuja(s):


Isto convém a quem trai.

É a autora a cuja peça me referi.


11. Entre palavras repetidas:


Ficaram cara a cara.

O líquido cai gota a gota.

Venceu de ponta a ponta.


12. Antes de terra antônimo de bordo:


Mandou o marinheiro a terra.

Depois de tantos dias no mar, chegamos a terra.


Observação: qualquer outra terra (inclusive o planeta Terra) admite crase.

Depois de tantos dias no mar, chegamos à terra procurada.

Vou à terra dos meus avós.

O astronauta voltou à Terra.


13. Antes de casa = lar, sua própria casa:


Vou a casa.

Ele ainda não retornou a casa desde aquele dia.


Observação: qualquer outra casa admite crase.

Vou à casa dos meus pais.

Ele ainda não retornou à casa dele.

Pleonasmo e redundância

 Figuras e vícios de linguagem


A gramática normativa é um conjunto de regras que estabelecem um determinado uso da língua, denominado norma culta ou língua padrão.


Ocorre que as normas estabelecidas pela gramática normativa nem sempre são obedecidas pelo falante.


Quando o falante desvia do padrão para alcançar uma maior expressividade, temos as figuras de linguagem.


Quando o desvio se dá pelo desconhecimento da norma culta por parte de quem fala ou escreve, temos os chamados vícios de linguagem.


Encontramos, então, a redundância, o pleonasmo e a tautologia.


 


Redundância significa:


1 – excesso: demasia, exagero,  superabundância, superfluidade de palavras.


2 – prolixidade: articulação, eloquência,  verborragia, verbosidade.


 


Pleonasmo é a figura de linguagem que consiste na repetição de uma ideia ou de uma função sintática. Trata-se de um recurso estilístico utilizado para dar clareza ou relevo, enfatizar, realçar uma ideia; também chamado de pleonasmo de estilo.  


Exemplos:


Os vidros, eu os lavei hoje.


Vi, com meus próprios olhos, e mesmo assim não acreditei.


Sonhar lindos sonhos.


“E rir meu riso e derramar meu pranto


Ao seu pesar ou seu contentamento”. (Vinicius de Moraes)


 


Pleonasmo é um termo genérico, que tanto pode adornar a linguagem como torná-la feia e sem encanto. Assim como outras  construções e empregos de palavras, tanto pode ser um vício como uma figura de


linguagem.


Alguns pleonasmos são utilizados sem nenhum efeito estilístico; nesses casos, temos um vício de linguagem, como nestes exemplos corriqueiros: entrar para dentro;  sair para fora; subir para cima; descer para baixo.


 


Redundância, Tautologia,  Pleonasmo Vicioso


 


Observe o seguinte texto, tema de uma questão de vestibular:


“A árvore, oca por dentro, era muito elevada, tinha vinte metros de altura total, do chão ao topo: estava, por esta razão, prestes  cair, daí a instantes, para baixo.”


“Oca por dentro” e “cair para baixo” são exemplos de pleonasmo de estilo. Já as passagens “altura total, do chão ao topo” e “prestes a cair, daí a instantes” são bons exemplos de redundância.


Tautologia:  Vício de linguagem que consiste em dizer sempre a mesma coisa por formas diferentes;  se caracteriza pela seguida repetição, por meio de palavras diferentes de um pensamento


anteriormente anunciado, baseando-se no desconhecimento da verdadeira significação dos termos empregados ou porque há expressões que estão enraizadas  no uso.


 


Podemos dizer que tautologia é outra denominação do pleonasmo vicioso; ambos são vícios de linguagem.


 


Exemplos de vícios de linguagem que devem ser evitados: monopólio exclusivo; principal protagonista; manusear com as mãos; preparar de antemão; prosseguir adiante; prever  antes; boato falso; abertura inaugural; elo de ligação; acabamento final;  conviver junto; detalhes minuciosos; metades iguais;  empréstimo temporário; encarar de frente; evidência concreta;  há anos atrás;  planejar antecipadamente;  superávit positivo; criação nova; comparecer pessoalmente; todos foram unânimes; resultado do laudo; consenso geral; deferir favoravelmente; autocontrolar-se.


 


O filme é baseado em fatos reais? Troque-o por um filme baseado em fatos ou baseado numa história real,  já que história pode ser real ou inventada.